segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um sequestro


É estranho, não sei como vim parar aqui. Lembro de ir deitar, era quarta-feira, tinha acabado uns desenhos para o meu cliente, de repente, puff, vim parar nesse campo. Sozinho. Amarrado em todas essas cordas. 

Não estou apavorado, e isso me preocupa. Parece que já esperava esse destino. Como se ficar amarrado em um terreno baldio fosse da minha natureza. Como se isso tivesse acontecido outras vezes já. Por que eu não estou surpreso? Por que eu não estou aterrorizado? Quero sair dessas cordas, claro, mas sei que tentar me desvinciliar delas com a força não é a melhor opção. Como tenho esse conhecimento? Experiência? - espero que não.

Quer saber o pior? A minha mente também está presa! Se fosse apenas o meu corpo... Mas não, quando venho parar neste lugar - e agora estou me lembrando que isso, infelizmente, já aconteceu comigo - fico completamente incapaz. Não consigo conversar. Não consigo sorrir. Nem gritar eu sou capaz.

Eu não sei como sair daqui! Eu não lembro como saí das outras vezes. Tenho a impressão que apenas devo ter calma. É um segundo mágico que separa tenuamente um eu, triste, taciturno, amarrado e um eu livre, livre para ser plenamente o Pablo. 

Não sei o que fazer além de esperar esse segundo mágico. Nunca descobri uma solução. Gostaria de poder sentar, mas nem isso eu consigo. Devo ficar de pé até as cordas se soltarem. 

Só me resta aguardar esse sonho às avessas passar. Enquanto isso, fico pensando em meus amigos, na minha família... Espero que eles nunca me vejam aqui, amarrado, neste terreno baldio. O que pensariam de mim? 

"Lá está o Pablo no mesmo lugar de sempre, por que ele faz isso?" "Eu vi ele ontem descendo a rua com todas essas cordas." "Ele mesmo que se amarrou?" "Sim, não sabia? Esse garoto é maluco!"

O que será que vão pensar de mim?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Um sonho. Uma prisão. Uma luz.


Liberte-se. Grite bem alto, para que todos possam ouvir e para que vejam que você já não se importa mais com eles.

Jogue-se. Do lugar mais alto que puder, para que todos vejam que você já não tem mais medo da altura e muito menos de que o vidro se quebre.

Dance. Da forma mais desengonçada possível e com as mais diversas caretas.

Ria. Com o mais alto sorriso que você puder alcançar.

Brinque. Fazendo piruetas e dando cambalhotas.

Para que todos vejam...

Para que todos vejam que você não os enxerga mais como antigamente. Sua visão está ofuscada pela luz que te ilumina. Você não consegue mais ver as pessoas, com seus olhares inquisidores, tentando encontrar defeitos em você, como antigamente. Essa luz colorida que te atinge, te acolhe: protege-te. Cria uma aura linda, tornando, assim, o mundo o teu palco.

Mas então a luz se apaga. As cores foram embora deixando apenas tons de cinza. A sociedade agora te pede que não grite dentro do ônibus. Que jamais brinque na chuva. Que não faça caretas. Que não dance igual a um louco. Que não faça piruetas. Que loucura!! 

Você quer ser livre. Quer jogar-se contra o vento. Correndo contra tudo e todos. Quer ser uma dissidente de tudo que é posto em seu caminho.

A luz acende novamente.

Volto a ver você, nadando nesse mar de sonhos. Brincando com suas amigas, como se fossem crianças felizes. Eu tento te encostar, mas não consigo. Você é ágil e não suporta a possibilidade de se acomodar em somente um lugar. O movimento é a sua estação. Somente nela você  sente-se íntegra: na mudança.

Eu continuo aqui em baixo com os meus aparelhos eletrônicos que registram cada movimento seu. Tenho medo de esquecer o que vejo, por isso registro cada gesto. Minha cabeça voa assim como o teu vestido. Eu sou um tolo.

Ajeito a minha roupa. Cuido para não encostar em outra pessoa com a minha mochila. Mexo no meu cabelo. Penso em algumas tristezas. Critico alguém que está ao meu lado. Sorrio disfarçadamente.

Você pede para eu te aplaudir e eu timidamente consigo. Você me pede para gritar e eu timidamente consigo. Sou um sucesso! Mas agora você pede para eu me jogar na piscina? Que infelicidade, isso acaba comigo. É demais para mim. Nunca conseguirei mergulhar como você. Por quê? Acho que estou tão preso nos modelos que a sociedade ditou como de pessoas normais que nem consigo me mover.

Preciso escapar, eu sei, desse plástico enorme que moldaram em mim. Eu não o vi. Eu estava dormindo quando fizeram isso comigo. Temo que seja impossível tirá-lo agora. Penso que seja tarde demais.

A luz se apaga novamente e então eu vou embora com essa desilusão. Porém, durante a estrada escura até a minha casa, penso em você. Rememoro aquele seu olhar que transbordava toda a fúria contida que você possuía. Sinto uma sensação diferente. Um sentimento que me faz repensar as minhas atitudes. Percebo que preciso dançar, rir e dar piruetas também. Eu quero ser livre assim como você é...



Eu invejo a tua fuerza bruta.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Infinitos sentimentos


Era tarde, meu coração parecia temer por mais um dia daqueles. Deveria ir até a vidraçaria e comprar mais espelhos. Dois espelhos. Essa era a única maneira de resolver a minha situação.

Seu sorriso era triste, seu olhar era triste e somente os espelhos a deixavam feliz. Objeto enigmático, alvo de tanta atenção pelos escritores. Quantos poemas lindos tiveram como origem a contemplação desse objeto? Quantos contos? A quem ele reflete: nós ou quem parecemos ser?

Era apenas o espelho que a fazia sorrir. Não por vaidade e sim pela contemplação do infinito. Sim, pois se um espelho reflete outro, uma miríade de incontáveis imagens surge e somente essa visão alegrava Ana. Por isso fui à vidraçaria aquela tarde, iria comprar os dois maiores espelhos que ela jamais sonhou ver.

Ana estava sentada na varanda de casa quando decidi pegar a minha bicicleta e ir à vidraçaria. Ela me olhou atônita; nervosa. Ana temia toda vez que eu a deixava sozinha.

— Maninha, não se preocupe — disse, acalmando-a — Logo voltarei. Vou sair, mas será bem rápido. Fiquei aí me esperando.

Ana falava pouco. Então apenas assentiu com um leve movimento e, tenho certeza, abençoou-me durante todo o meu trajeto até a loja.

Era tão bom a sua companhia. Morávamos sozinhos desde a ida de nossa família. Recuso sempre a falar sobre esse assunto. Somente em meus pensamentos permito relembrar o passado, pois, se um dia verbalizá-los, o som da minha voz será tão triste que temo pelas flores que colorem meu jardim. Talvez todas elas fiquem cinza, assim como a minha vida.

Ana era a minha salvação. Seu sorriso indecifrável deixava-me feliz, por isso fazia tudo por ele.

Estava perto da vidraçaria. O vento me consolava, pois, devido o calor, o caminho até a loja fora árduo. Pena não poder enxergar o vento, apenas senti-lo. Desejava, olhando-o, dizer mil obrigados por sua existência.

Cheguei à vidraçaria e pedi dois espelhos e que eles fossem maiores do que os maiores espelhos um dia construídos pela loja. A atendente me olhou com um sorriso e chamou o funcionário responsável pela fabricação. Com calma, ela explicou para o senhor as medidas e os procedimentos necessários para a realização de tal encomenda. O atendente desconfiado me informou o preço e eu ratifiquei meu pedido.

— Daqui a 5 minutos ficará pronto — falou a moça — Você quer esperar?

Fiquei esperando então os meus dois espelhos quando, de repente, a atendente começou a falar aquelas palavras que mudariam a minha maneira de ver os mistérios da vida.

— Qual é o seu nome? — ela me perguntou

— Diogo — falei de forma simpática.

— Diogo, preciso te falar algo. — iniciou ela, olhando em meus olhos — você tem uma aura linda. Você vai ser uma grande pessoa na vida. Sua aura é rara. Têm tons verdes, amarelos, rosas... É fantástica.

Não consegui falar nada.

— Você é uma pessoa muito especial — continuou —você fará em determinado dia algo muito grandioso. Você não está nesse mundo só por estar. São teus anjos que te fazem assim. São eles que te protegem e no dia certo te levarão ao teu merecido destino.

Estava sem ar. Minha respiração havia parado para escutar aquelas palavras tão altruístas. Para mim, era ela a pessoa especial por querer compartilhar pensamentos tão bons para mim. Seu ato era um enorme gesto de carinho. Ela não queria nada em troca, apenas expressar seu pensamento sem uma gota de egoísmo manchando-o. Ela era a especial.

— Diogo, eu tenho 50 anos — ela falou carinhosamente — você é apenas a sexta pessoa que vejo com essa luz. Você é raríssimo.

Com um sorriso, toquei sua mão e agradeci tão gentis palavras. Não tive mais tempo para ouvi-la, pois clientes entraram e meus espelhos haviam ficado prontos.

Paguei para ela agradecendo-a novamente. Com pesar, fui-me embora. Sabia que aquelas palavras ficariam para sempre dentro de mim. Sempre fui um garoto cético, mas aquela atitude foi tão inesperada e falou absolutamente tudo que sonhei um dia ouvir que tive de entregar-me a esses mistérios da vida. Aura, anjos, nunca havia acreditado; mas hoje, ao menos, confesso ter aceitado suas existências.

Ana continuava na varanda quando voltei. Não pude trazer os espelhos comigo, pois eram enormes. Eles vieram no caminhão da empresa, alguns minutos depois.

Ana não queria saber onde eu havia ido. Apenas ficava olhando o horizonte até perder-se, como as montanhas que iam sendo cobertas pelas nuvens daquele dia nublado. Quando cheguei na varanda, Ana deu-me a mão e falou:

— Obrigado por não ter demorado.

Olhei para ela transbordando de compaixão. Adoraria abraçá-la por um dia inteiro. A amava demais. Talvez pelo medo de perder meu único parente ainda vivo ou quem sabe por saber que ela também tinha esse receio. Sempre a protegeria e sempre estaria ao seu lado. Nós nos completávamos, antes mesmo de perdermos nossa família. Tínhamos uma química perfeita. Nunca brigávamos. Por vezes, após a tragédia, até fomos felizes.

Então os espelhos chegaram. Colocamos eles na sala. Um na frente do outro até aquele infinito número de imagens se formar. Era uma visão belíssima. E dois espelhos enormes davam a impressão de que íamos nos perder dentro daquela infinidade de reflexos. Ana parecia incrédula. Olhou para mim com uma expressão de espanto. Lembrou-me a minha fisionomia em frente às palavras da atendente.

Ana não sabia o que fazer, por isso sugeri a ela para ir ver-se no espelho. Ela sorriu quando percebeu-se multiplicada infinitas vezes e, logo após, chorou infinitas lágrimas.

Senti que Ana sempre esperou por aquele momento. O momento em que ela compreenderia parte dos mistérios da vida. Pois o infinito que percebemos quando juntamos dois espelhos em determinado momento fica incontável, devido ao tamanho minúsculo de seus reflexos longínquos e a nossa incapacidade de enxergá-los. E a vida pode ser assim também. Determinadas situações estão além de nosso entendimento, de nossa visão limitada. Talvez auras e anjos sejam esses reflexos minúsculos que não conseguimos visualizar quando colocamos um espelho no espelho.

Quando fui à vidraçaria jamais cogitava ouvir aquelas doces palavras. E, é claro, demorei em aceitá-las. Mas se tenho realmente uma aura predestinada e os anjos me ajudarão a concretizar meu destino, creio que eles já fizeram grande parte de seu trabalho. Já que, quando minha irmã, chorando, falou que estava contente, tive a certeza que essa era a minha missão aqui na terra — fazê-la feliz infinitas vezes.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma tarde

Passar a tarde com você. Ouvir, ler suas palavras, suas frases, seus pensamentos. Tentar decifrar-te. Essa intensidade inebriante, que me afoga de dúvidas e certezas. Essa sinceridade insegura. Esse olhar intimidador que esconde tantos sentimentos viscerais.

Passar a tarde com você me inspirou de esperança e melancolia. Você foi profundamente. Para você o raso é o nada, e o final deste mar, onde sinto a terra se desfazer em minhas mãos, também é o nada. Mas é lá que você mergulha. É lá que você chega, e com essa terra em mãos, esfrega-a em minha face.

Passar a tarde com você me faz desabafar. Me faz escrever. Me faz chorar. Viver.

Hoje te conheci um pouco mais. Passar a tarde com você foi estar e não estar. Foi sentir o ar e esquecer de respirar. Foi ficar parado e levitar. Foi esquecer onde estou e compreender por que estou aqui. Foi não entender, apenas sentir.

Revirado eu estou. Por sua culpa, Clarice.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um Super Poder

Olho para as pessoas lá em baixo; sempre tive medo de altura, porém agora é diferente. As pessoas estáo minúsculas daqui do quadragéssimo oitavo andar, e toda a vertigem sentida por esta visão amendrontaria qualquer animal que ocupasse meu lugar.

Eu acabo de descalçar-me para melhor sentir a borda do cume do edifício. Sinto ainda os efeitos dos choque térmico resultante. Gosto dele: sinto-me vivo. Se fosse possível, gostaria de levar essa recordação para a minha morte.

Decidi que iria suicidar-me ontem à noite, logo após um programa de televisão. O programa era horrível, mas ele não teve nenhuma relação com o meu iminente ato. Usei-o apenas para demarcar o estopim da minha decisão. Durante todo ele fiquei pensando sobre a minha vida, sobre minhas decisões, sobre o que eu queria ser no futuro. Foi necessária apenas uma conclusão, tirada desses pensamentos, para eu ter certeza de que devo jogar-me do edifício mais alto existente em Porto Alegre.

A conclusão é a seguinte: preciso tentar voar.

Pode parecer uma conclusão pueril e sem conexão essa a minha. Até demasiadamente ingênua, resultante de alguma inspiração provinda de alguma história do Super-Homem. Porém, eu sempre quis ter essa sensação de sentir o ar batendo em meu rosto enquanto eu deslizava entre as nuvens. Aprender as rotinas das aves e, quem sabe, até segui-las em alguma jornada em busca de sobrevivência. Poderia imitar Ícaro e tentar tocar o sol com minhas mãos. É claro que não conseguiria, porém iria simular o fadado dia. Uma homenagem póstuma. Se pudesse voar, no começo, antes de ir migrar com os passarinhos, iria, por algum tempo, voar ao meu emprego, apenas para apagar a minha fama de funcionário que chega sempre atrasado. Se eu pudesse voar, sentiria-me extremamente feliz.

Tudo bem, eu confesso, sofri influência de Super-Heróis. Porém, a verdade é que nunca cheguei perto de ser um. Nunca fui nem herói; nem vilão. O máximo conquistado, por mim, dentro dessa analogia, foi tornar-me figurante entre a multidão.

Preciso contar algo para você entender-me: durante toda a minha vida fui estigmatizado por nunca tentar. Sempre tive medo do inesperado; sempre me acomodei em situações confortáveis. Um exemplo angustiante são as minhas atitudes a respeito da minha profissão. Trabalho a vinte anos no mesmo emprego. Não tenho nenhuma possibilidade de crescer profissionalmente lá dentro. O meu salário é ínfimo, apenas o necessário para as minhas passagens e refeições. Entretanto, nunca tentei procurar outro ambiente para trabalhar. Nunca tentei. Nunca. Se você está curioso para saber qual a minha função no trabalho, espero que me respeite. Prefiro não contar sobre. Apesar de representá-lo por vinte anos, sinto-me envergonhado em descrevê-lo.

Voltando aquele programa ridículo assistido por mim. Foi após ele que me rebelei. Que droga, sempre fui tão recatado. Sempre no mesmo emprego. Sempre na mesma vida. Sempre mais ou menos. Nunca ousei. Nunca falei um palavrão. Nunca tive uma namorada. Agora isso tudo não mais importa. O importante, agora, é a realização do meu sonho: voar.

É claro que morrerei. Não sou ingênuo. Entretanto, vou tentar.

O piso do edifício ficou quente com o calor dos meus pés. Sinto uma certa reciprocidade entre nós. Será que ele ficar cálido é uma forma de demonstrar seu consentimento com a minha atitude? Acenando sua satisfação de encontrar-me sobre ele?

Olho para o chão. A vertigem já não é mais forte que a minha coragem de tentar. As pessoas de lá não suspeitam que daqui a alguns minutos dois passos para o nada modificarão o dia delas. Que dois passos para o nada resultará em um corpo retorcido no chão.

Respiro fundo. Fico com os braços grudados no corpo. Respiro fundo, novamente. Penso em toda a minha vida. Lembro do medo do inesperado. Lembro das tantas vezes que não tentei o novo. Por isso tudo, reforço a minha decisão.

Então eu cedo dois passos ao nada. E caio.

Estou caindo. Preciso tentar voar. Preciso tentar. Tentar. Tentar. Bato as mãos, imitando as asas de uma ave. Que cena ridícula. Mentalizo estar voando na direção do céu. Nada. Estou caindo, isso sim. Rumo a minha morte. Desespero. Vou sujar ainda mais a calçada imunda da cidade.

Entretanto, parece incrível, mas uma sensação maravilhosa toma conta de mim. Não por eu ter desistido da minha vida, e sim por eu ter, finalmente, tentado fazer algo por ela. Sinto que tudo poderia ser diferente. Percebo apenas ser preciso ousar uma única vez para, assim, começar a ousar em todos os lados da minha existência. Precisava apenas de um passo. Apenas um passo para começar a minha revolução pessoal. Somente agora aprendi.

Percebo que estou a metros do chão.

Fico triste.

Gostaria de poder voar para voltar ao topo e, assim, transformar a minha vida.

Uma Folha de Plátano

Era uma Folha de Plátano, tão simétrica, parecida com um astro da galáxia. As pontas da esquerda tiveram irmãs gêmeas na direita e, assim, reunidas em família, formavam aquela bela imagem que um dia tive em minhas mãos.

Sua textura era rude, assim como o vento que a derrubou. Suas extremidades eram pontudas como se indicassem uma personalidade forte; como se demonstrassem que, além de bela, ela poderia ter um temperamento explosivo. Uma folha lindamente tempestiva.

A cor dela era parda e essa cor parda possuía uma neutralidade incomparável, como se ela não gostasse de se expor. Parecia que ela evitava, com isso, destacar-se das demais. Entretanto, com todas aquelas formas simétricas que possuía, era impossível realizar tal objetivo.

Encontrei-a jogada na calçada de Porto Alegre, na saída do meu curso de Produção Textual. Sua perfeição me chamou a atenção. Ela não merecia ficar ali, jogada na rua, misturando-se com a sujeira da cidade; ela não era um objeto descartável, e sim, digna de exposição.

Porém, nem tudo são folhas. Eu a perdi. Procurei-a antes de iniciar a minha descrição. Poderia perguntar a ela, enquanto digitava este texto, se estava do agrado dela a maneira que eu a estava descrevendo. Mas, ela não está aqui. Não sei onde ela foi. Guardei-a com todo zelo que possuo, entretanto ela não me quis mais. Sumiu, como se fosse feita de água; como se fosse uma miragem; como se fosse um sonho.

Adeus, Folha de Plátano. Sua breve estada junto a mim criou diversos sorrisos passageiros.

Desculpe, Folha de Plátano. Perdi você, assim como o vento, quando te soprou, fez-te perder a vida.