É estranho, não sei como vim parar aqui. Lembro de ir deitar, era quarta-feira, tinha acabado uns desenhos para o meu cliente, de repente, puff, vim parar nesse campo. Sozinho. Amarrado em todas essas cordas.
Não
estou apavorado, e isso me preocupa. Parece
que já esperava esse destino. Como se ficar amarrado em um terreno
baldio fosse da minha natureza. Como se isso tivesse acontecido outras
vezes já. Por que eu não estou surpreso? Por que eu não estou
aterrorizado? Quero sair dessas cordas, claro, mas sei que tentar me
desvinciliar delas com a força não é a melhor opção. Como tenho esse
conhecimento? Experiência? - espero que não.
Quer saber o pior? A minha mente também está presa! Se fosse apenas o meu corpo... Mas não, quando venho parar neste lugar - e agora estou me lembrando que isso, infelizmente, já aconteceu comigo - fico completamente incapaz. Não consigo conversar. Não consigo sorrir. Nem gritar eu sou capaz.
Eu não sei como sair daqui! Eu não lembro como saí das outras vezes. Tenho a impressão que apenas devo ter calma. É um segundo mágico que separa tenuamente um eu, triste, taciturno, amarrado e um eu livre, livre para ser plenamente o Pablo.
Não sei o que fazer além de esperar esse segundo mágico. Nunca descobri uma solução. Gostaria de poder sentar, mas nem isso eu consigo. Devo ficar de pé até as cordas se soltarem.
Só me resta aguardar esse sonho às avessas passar. Enquanto isso, fico pensando em meus amigos, na minha família... Espero que eles nunca me vejam aqui, amarrado, neste terreno baldio. O que pensariam de mim?
"Lá está o Pablo no mesmo lugar de sempre, por que ele faz isso?" "Eu vi ele ontem descendo a rua com todas essas cordas." "Ele mesmo que se amarrou?" "Sim, não sabia? Esse garoto é maluco!"
O que será que vão pensar de mim?
Quer saber o pior? A minha mente também está presa! Se fosse apenas o meu corpo... Mas não, quando venho parar neste lugar - e agora estou me lembrando que isso, infelizmente, já aconteceu comigo - fico completamente incapaz. Não consigo conversar. Não consigo sorrir. Nem gritar eu sou capaz.
Eu não sei como sair daqui! Eu não lembro como saí das outras vezes. Tenho a impressão que apenas devo ter calma. É um segundo mágico que separa tenuamente um eu, triste, taciturno, amarrado e um eu livre, livre para ser plenamente o Pablo.
Não sei o que fazer além de esperar esse segundo mágico. Nunca descobri uma solução. Gostaria de poder sentar, mas nem isso eu consigo. Devo ficar de pé até as cordas se soltarem.
Só me resta aguardar esse sonho às avessas passar. Enquanto isso, fico pensando em meus amigos, na minha família... Espero que eles nunca me vejam aqui, amarrado, neste terreno baldio. O que pensariam de mim?
"Lá está o Pablo no mesmo lugar de sempre, por que ele faz isso?" "Eu vi ele ontem descendo a rua com todas essas cordas." "Ele mesmo que se amarrou?" "Sim, não sabia? Esse garoto é maluco!"
O que será que vão pensar de mim?
