domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma tarde

Passar a tarde com você. Ouvir, ler suas palavras, suas frases, seus pensamentos. Tentar decifrar-te. Essa intensidade inebriante, que me afoga de dúvidas e certezas. Essa sinceridade insegura. Esse olhar intimidador que esconde tantos sentimentos viscerais.

Passar a tarde com você me inspirou de esperança e melancolia. Você foi profundamente. Para você o raso é o nada, e o final deste mar, onde sinto a terra se desfazer em minhas mãos, também é o nada. Mas é lá que você mergulha. É lá que você chega, e com essa terra em mãos, esfrega-a em minha face.

Passar a tarde com você me faz desabafar. Me faz escrever. Me faz chorar. Viver.

Hoje te conheci um pouco mais. Passar a tarde com você foi estar e não estar. Foi sentir o ar e esquecer de respirar. Foi ficar parado e levitar. Foi esquecer onde estou e compreender por que estou aqui. Foi não entender, apenas sentir.

Revirado eu estou. Por sua culpa, Clarice.

Um comentário:

  1. Eu - e-u - acho que Clarice é isso mesmo: sentir (e só). E são muitas sensações. É difícil, difícil... Já leste "Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres"?

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